Há afetos que recusam a posse,
Habitam o intervalo entre o olhar e a ausência,
onde a esperança não exige chegada
e o silêncio torna-se a mais eloquente das confissões.
Amo-te como a lua ama o oceano:
sem tocar-lhe as margens,
mas governando-lhe as marés
com uma presença que ninguém vê.
Não te pertenço,
não é tempo de romper a delicada arquitetura da distância
Há uma estranha nobreza
em contemplar aquilo que não sabes se vai possuir.
Talvez o amor mais puro
seja justamente aquele que renuncia ao desfecho,
que floresce sem testemunhas,
sem promessas,
sem o peso das certezas.
Permanece apenas como uma luz discreta,
capaz de atravessar o tempo
sem jamais reclamar um nome.
E, quando o mundo perguntar por que sorrio diante do impossível,
responderei apenas com o silêncio.
Porque existem amores
que não foram feitos para acontecer.
Foram feitos para eternizar a beleza
do que a alma escolheu contemplar.
Rosaly Brandão

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